O luxo da estética é ninguém identificar o que foi feito
Especialista defende protocolos graduais, preservação da identidade e resultados que valorizam a aparência sem revelar a intervenção
Durante anos, procedimentos estéticos foram associados a transformações evidentes: rostos mais volumosos, contornos muito marcados e mudanças que facilmente denunciavam a intervenção. A estética contemporânea, no entanto, começa a caminhar em outra direção. O conceito de luxo também chegou aos consultórios e, nesse novo cenário, quanto menos perceptível for o procedimento, maior pode ser a sensação de sofisticação. É o chamado “luxo silencioso”: uma aparência descansada, uma pele mais viçosa e um rosto harmônico, sem que seja possível identificar exatamente o que foi feito.
Para a biomédica especialista estética Vânia de Paula, proprietária da VP Saúde Estética, em Goiânia, a mudança acompanha uma tendência observada também fora dos consultórios. “Hoje o luxo é velado. É aquela pessoa que parece que não faz nada, parece que está natural, mas está com os procedimentos em dia. Na prática, o menos é mais. É aquele procedimento que ninguém percebe. As pessoas apenas notam que você está descansada, com o rosto mais leve e uma pele muito reluzente”, explica.
O tratamento começa pela queixa do paciente
Na avaliação, Vânia explica que não parte de um padrão pronto de beleza. O primeiro passo é entender o que incomoda o paciente. A partir disso, são analisadas estrutura facial, proporções, qualidade da pele e pontos que podem ser trabalhados sem alterar a identidade.
A especialista defende que o objetivo da chamada beleza natural é valorizar o que a pessoa já tem e, quando necessário, recuperar características que foram perdidas com o processo de envelhecimento. O tratamento, segundo ela, deve acompanhar esse processo de forma gradual.
“Eu sempre pergunto: o que tem te incomodado no seu rosto? Porque o que eu vejo pode ser diferente do que a pessoa enxerga. A partir da queixa dela, a gente consegue programar o que pode melhorar, respeitando a individualidade, a estrutura e a harmonia daquele rosto”, explica.
A proposta é trabalhar o rosto de forma progressiva, respeitando anatomia, idade e características individuais. Em vez de buscar uma transformação imediata, a especialista defende um planejamento que combine diferentes estratégias ao longo do tempo.
“Envelhecemos aos poucos, então precisamos entender que também vamos precisar de tempo para construir o resultado. Às vezes, aquele rosto que a pessoa vê no Instagram e pensa ‘eu quero esse resultado’ foi construído em dois meses, seis meses ou até um ano. Primeiro trabalhamos a qualidade da pele, depois a estrutura e, por fim, os pontos que ainda precisam ser melhorados”, afirma.
Reestruturar antes de transformar
Segundo Vânia, parte importante do processo de envelhecimento está relacionada às alterações que acontecem naturalmente na pele e na estrutura facial. A partir da maturidade, mudanças na distribuição dos tecidos, na estrutura óssea e nos compartimentos de gordura podem alterar a aparência do rosto.
É nesse contexto que entra o conceito de embelezamento natural defendido pela especialista. “Ele vem para trabalhar os pontos que você perdeu com a idade. Não é para fazer modificações. É para repor aquilo que foi perdido e devolver estrutura”, explica.
O ácido hialurônico, segundo ela, também evoluiu e hoje existem produtos com características diferentes, escolhidos de acordo com a região e o objetivo do tratamento.
“Tem ácido específico para regiões próximas ao osso, outros para regiões mais moles, como lábios e olheiras, e outros para volumização, como maçãs do rosto, projeção do queixo e determinadas áreas que precisam de estrutura. Então tudo precisa ser trabalhado de acordo com cada face”, detalha.
Qualidade da pele também é parte do resultado
A estética natural, porém, não depende apenas de preenchimento. Para Vânia, cuidar da pele é uma etapa fundamental para que o rosto mantenha aparência saudável e rejuvenescida.
Nesse contexto, ela cita o avanço dos peptídeos e das tecnologias voltadas à remodelação da pele. “Os peptídeos são moléculas sinalizadoras e têm mudado bastante a estética. Hoje trabalhamos com estratégias de bio remodelação, buscando melhorar a estrutura da pele, o colágeno e a elastina”, afirma.
A ideia é que os procedimentos não sejam vistos apenas como uma solução pontual, mas como parte de um planejamento de longo prazo. Segundo a biomédica, essa é uma das principais mudanças percebidas no comportamento dos pacientes nos últimos anos.
“Antes existia uma sazonalidade muito grande. As pessoas chegavam em outubro ou novembro para fazer procedimentos e passar as festas de fim de ano com o rosto mais estruturado. Hoje elas entenderam que não é só no final do ano que precisamos tratar o rosto. É um cuidado contínuo”, observa.
Envelhecer sem perder a identidade
A proposta também passa pela manutenção. Em vez de esperar que as marcas do tempo se acumulem para depois buscar uma grande transformação, Vânia defende um acompanhamento gradual, que pode envolver cuidados com a pele, estímulo de colágeno, tecnologias e procedimentos injetáveis, de acordo com a necessidade de cada paciente.
“O objetivo não é fazer com que a pessoa pareça outra. É fazer com que ela olhe no espelho e reconheça a melhor versão dela mesma”, finaliza a especialista.
