Do pós-parto às canetas emagrecedoras: por que grandes mudanças no corpo podem refletir no cabelo?
Queda capilar pode aparecer após alterações hormonais ou perda rápida de peso. A biomédica Vânia de Paula explica o eflúvio telógeno e como funciona o cuidado personalizado no consultório
O cabelo pode ser um dos primeiros sinais de que o organismo passou por uma mudança importante. É o que pode acontecer após a gestação, quando alterações hormonais favorecem o eflúvio telógeno, mas também em processos de emagrecimento com perda rápida de peso. Com a popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, a queda capilar passou a ser uma queixa observada por algumas pessoas durante ou depois do processo de emagrecimento.
O eflúvio telógeno acontece quando uma quantidade maior de fios entra simultaneamente na fase de repouso do ciclo capilar e, posteriormente, passa para a fase de queda. No pós-parto, a alteração hormonal é um dos gatilhos conhecidos. Já em processos de emagrecimento, a perda acelerada de peso, mudanças na alimentação e possíveis deficiências nutricionais podem contribuir para o quadro.
Para a biomédica esteta Vânia de Paula, da VP Saúde Estética, o mais importante é entender o que mudou no organismo antes de definir um protocolo. “A gente precisa entender quando essa queda começou e o que estava acontecendo naquele período. No pós-parto, temos uma mudança hormonal muito grande. No emagrecimento, precisamos olhar para a velocidade da perda de peso, a alimentação e se existe alguma deficiência nutricional. Não existe um tratamento único para todo mundo”, explica.
Por que o cabelo pode cair depois da gestação?
Durante a gestação, as alterações hormonais podem manter uma quantidade maior de fios na fase de crescimento. Após o parto, com a mudança hormonal, parte desses fios entra na fase de repouso e a queda pode se tornar mais evidente alguns meses depois.
A American Academy of Dermatology informa que a queda pós-parto costuma ficar mais intensa por volta do quarto mês e, na maioria dos casos, a densidade dos fios é recuperada gradualmente. Quando a queda é intensa ou prolongada, porém, é importante investigar outras possíveis causas.
E o que acontece depois do emagrecimento?
A queda também pode aparecer durante ou após uma perda significativa de peso. Nesses casos, não é necessariamente a medicação isoladamente que explica a alteração. A própria mudança metabólica, a velocidade do emagrecimento e a redução da ingestão de determinados nutrientes podem interferir no ciclo dos fios.
“Quando a pessoa emagrece muito e rapidamente, o organismo entende que está passando por uma mudança. Muitas vezes, a alimentação também muda bastante.
Por isso, quando aparece uma queda capilar, precisamos investigar o que aconteceu durante esse processo e não simplesmente colocar a culpa na caneta”, afirma Vânia.
A deficiência de nutrientes também merece atenção. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 35,5% das gestantes de 15 a 49 anos apresentavam anemia em 2023, em uma estimativa global. A deficiência de ferro está entre as principais causas de anemia. No caso da queda relacionada ao emagrecimento, a avaliação nutricional também pode ser importante, especialmente quando há restrição alimentar significativa.
“Não significa que toda pessoa que emagreceu e está com queda de cabelo esteja com falta de vitaminas. É preciso investigar. Quando existe uma deficiência, ela precisa ser corrigida, mas o cuidado com o cabelo também envolve olhar para o couro cabeludo e para as condições dos fios”, ressalta a especialista.
Intradermoterapia capilar como parte do cuidado
Na VP Saúde Estética, Vânia trabalha com um protocolo de intradermoterapia capilar personalizado, definido a partir da avaliação de cada paciente. O procedimento consiste na aplicação de ativos diretamente no couro cabeludo ou em regiões que necessitam de estímulo, dentro de uma estratégia voltada ao fortalecimento e crescimento dos fios.
O protocolo pode ser associado a tecnologias como LEDterapia e radiofrequência. De acordo com Vânia, a luz azul é utilizada como parte dos cuidados com o equilíbrio do couro cabeludo, enquanto a luz vermelha atua por fotobiomodulação. A radiofrequência também pode ser incorporada conforme a necessidade identificada na avaliação.
“A ideia é não olhar somente para o fio que está caindo. A gente precisa cuidar do couro cabeludo e entender o ambiente em que aquele cabelo está crescendo. Por isso, o protocolo é personalizado e pode mudar de uma paciente para outra”, explica.
O tratamento começa pela avaliação
O acompanhamento pode ocorrer semanalmente ou a cada 15 dias, conforme a avaliação e a estratégia definida para cada caso. Antes de iniciar o protocolo, a história do paciente é considerada para identificar possíveis gatilhos e entender se existe necessidade de investigação complementar.
Para Vânia, tanto o pós-parto quanto o emagrecimento são momentos em que o organismo passa por mudanças que merecem atenção. “O cabelo acaba mostrando um pouco do que está acontecendo com o corpo. Seja depois de uma gestação ou de um processo de emagrecimento, quando a paciente percebe uma queda diferente do habitual, o ideal é investigar e cuidar cedo. Quanto mais individualizado for esse olhar, melhor conseguimos entender o que aquele cabelo está precisando”, conclui.
