Tecnologia no assessórios: conheça as IAs aliadas no monitoramento da saúde no dia a dia
De smartwatches a roupas inteligentes, dispositivos ajudam na prevenção de doenças e ampliam engajamento dos pacientes nos cuidados médicos
Os dispositivos vestíveis, conhecidos como wearables, deixaram de ser simples contadores de passos para se tornarem ferramentas de monitoramento avançado da saúde. Hoje, totalmente ligados à Inteligência Artificial, esses acessórios conseguem medir frequência cardíaca, pressão arterial e até identificar arritmias antes mesmo de o paciente perceber sintomas.
Casos como o do engenheiro civil Guilherme Rabello, de 56 anos, de São Paulo, que descobriu uma arritmia após alerta de seu relógio inteligente, mostram o impacto da tecnologia no cuidado preventivo. O uso desses recursos também chama atenção de especialistas da área da saúde.
Para o nutrólogo e intensivista Dr. José Israel Sanchez Robles, esses dispositivos representam um novo patamar no acompanhamento clínico. “Embora não substituam a avaliação médica, os dispositivos vestíveis se consolidam como aliados poderosos na área da saúde. Eles oferecem dados em tempo real que podem orientar decisões clínicas e, em alguns casos, até antecipar riscos à saúde.”, destaca.
O médico, que acompanha de perto os avanços na área, avalia que a evolução dos dispositivos é significativa. “Alguns modelos atuais já monitoram mais de 25 métricas de saúde, com inteligência artificial que opera de forma bastante eficaz. Ainda há espaço para aprimoramento, mas os recursos disponíveis hoje representam um salto importante em termos de precisão e personalização do acompanhamento”, afirma o Dr. José Israel.
Produtos como estes têm sido lançados com cada vez mais tecnologia e funcionalidades inéditas como eletrocardiograma (ECG), monitoramento da pressão arterial e análise hormonal feminina, além de aprimoramentos nas métricas voltadas ao desempenho esportivo. Na avaliação de José Israel, esses avanços ampliam as possibilidades de um acompanhamento mais personalizado. “A tendência é que o paciente assuma um papel cada vez mais ativo em sua própria jornada de saúde, munido de informações confiáveis que podem ser compartilhadas com o médico”, destaca.
Apesar do avanço, o especialista reforça a necessidade de cautela. “Nem todos os parâmetros disponibilizados pelos dispositivos vestíveis possuem validação científica robusta — como é o caso do monitoramento não invasivo da glicemia. Por isso, é fundamental que os dados sejam interpretados em conjunto com exames laboratoriais tradicionais e sob acompanhamento profissional qualificado”, conclui.
De acordo com o médico e diversos outros especialistas, o futuro dos dispositivos vestíveis deve caminhar para uma combinação de maior precisão, acessibilidade ampliada e integração efetiva com os sistemas de saúde. Para os profissionais da medicina, o principal benefício está no engajamento do paciente e na possibilidade de prevenção de doenças por meio da detecção precoce. “Essas tecnologias são promissoras, mas devem ser encaradas como ferramentas complementares — nunca como substitutas do cuidado médico tradicional”, ressalta o especialista.