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Pesquisa diz que meninas estão entrando na puberdade cada vez mais cedo; entenda

Obesidade, estresse e fatores ambientais estão entre as principais hipóteses para a antecipação do desenvolvimento puberal, que pode trazer riscos físicos e emocionais

O início da puberdade em meninas têm acontecido cada vez mais cedo em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil. Casos de desenvolvimento de mamas, surgimento de pelos pubianos e até alterações emocionais relevantes antes dos nove anos já não são considerados exceção. Dados científicos mostram que a idade média da primeira menstruação caiu drasticamente ao longo dos últimos dois séculos e, nas últimas décadas, essa tendência voltou a se intensificar.

Segundo estudos internacionais, enquanto no século XIX a menarca ocorria por volta dos 16 ou 17 anos, hoje a média gira em torno dos 12. Além disso, sinais iniciais da puberdade, como o desenvolvimento mamário, vêm sendo observados entre 8 e 10 anos em muitas meninas. Para explicar, o médico nutrólogo e intensivista Dr. José Israel Sanchez Robles diz que o fenômeno exige atenção multidisciplinar. “Não se trata apenas de uma mudança biológica isolada, mas de um reflexo direto do estilo de vida moderno e de fatores ambientais que impactam o organismo infantil”, afirma.

Entre as principais causas investigadas pelos pesquisadores está o aumento expressivo da obesidade infantil. O excesso de gordura corporal influencia a produção hormonal, especialmente por meio da leptina, hormônio que atua nos mecanismos de maturação sexual. “A obesidade não inicia a puberdade sozinha, mas acelera processos que deveriam acontecer mais tarde”, explica o médico. “Isso altera o tempo natural de desenvolvimento do corpo.”

Outro fator em análise é o estresse psicológico precoce. Exposição à violência, insegurança social, pobreza e até mudanças bruscas na rotina, como as vividas durante a pandemia de COVID-19, estão associadas a um início mais precoce da puberdade. “O organismo da criança responde ao estresse crônico como se precisasse amadurecer mais rápido para sobreviver”, pontua José Israel.

Há ainda suspeitas sobre a influência de substâncias químicas presentes no ambiente, como ftalatos e PFAS, encontrados em plásticos e produtos industrializados. Embora as evidências ainda sejam inconclusivas, especialistas defendem cautela. “Estamos expostos a compostos que interferem no sistema endócrino desde muito cedo, e isso pode ter consequências silenciosas”, alerta o especialista.

Os impactos da puberdade precoce vão além das mudanças físicas. Estudos associam o fenômeno a maior risco de obesidade, diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, câncer de mama, além de ansiedade, depressão e dificuldades de socialização. Diante desse cenário, médicos reforçam a importância do acompanhamento precoce, orientação familiar e, em alguns casos específicos, intervenção medicamentosa.

“O mais importante é não normalizar o sofrimento dessas crianças”, conclui José Israel, completando que “Identificar cedo, acolher emocionalmente e avaliar cada caso de forma individual é fundamental para reduzir os riscos a curto e longo prazo.”

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