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OMS recomenda alimentação e exercícios em vez de canetas emagrecedoras para crianças com obesidade 

Médico comenta diretriz que não recomenda remédios, cirurgia bariátrica nem dispositivos para menores de 10 anos; para adolescentes, medicamentos podem ser considerados em situações específicas

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, neste mês, suas primeiras diretrizes globais para o tratamento da obesidade em crianças e adolescentes. Para menores de 10 anos, a entidade recomenda priorizar alimentação saudável, atividade física e apoio para mudanças de comportamento, sem o uso dos medicamentos análogos do GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras” ou outros medicamentos para perda de peso. A orientação também não recomenda cirurgia bariátrica nem dispositivos de emagrecimento para essa faixa etária.

“Na infância, qualquer tratamento deve levar em conta o crescimento e o desenvolvimento da criança. As canetas emagrecedoras jamais devem ser utilizadas por conta própria: seu uso exige avaliação criteriosa e acompanhamento profissional”, afirma o médico nutrólogo e intensivista José Israel Sánchez Robles.

A diretriz não descarta medicamentos para todos os jovens. Para adolescentes de 10 a 19 anos com obesidade, remédios aprovados podem ser considerados quando um programa supervisionado, que combine mudanças na alimentação, atividade física e apoio comportamental, não tiver alcançado os resultados esperados. A cirurgia bariátrica pode ser avaliada em adolescentes com obesidade grave, sob condições rigorosas.

“Isso não significa, contudo, que adolescentes nunca possam receber tratamento medicamentoso. A indicação depende da idade, do quadro clínico e da resposta às demais intervenções. Cabe à equipe de saúde tomar essa decisão de forma individualizada”, explica o nutrólogo.

A OMS afirma que ainda faltam evidências suficientes para recomendar tratamentos farmacológicos contra a obesidade em crianças menores de 10 anos. O documento também chama atenção para a saúde mental: ansiedade, depressão, baixa autoestima, bullying e discriminação podem afetar o bem-estar de crianças e adolescentes e devem ser considerados no acompanhamento.

Para José Israel, o cuidado não pode se restringir ao peso nem atribuir à criança a responsabilidade por sua condição. “A obesidade exige acompanhamento contínuo e uma abordagem acolhedora. É fundamental envolver a família, preservar a autoestima da criança e evitar qualquer forma de estigmatização”, afirma. Segundo o médico, as principais recomendações incluem acompanhamento estruturado para a adoção de uma alimentação saudável, a prática regular de atividade física e mudanças de comportamento, sempre adaptadas às necessidades e à realidade de cada criança e incorporadas à rotina familiar.

Segundo a OMS, cerca de 170 milhões de pessoas entre 5 e 19 anos viviam com obesidade no mundo em 2024. Nessa faixa etária, a prevalência quadruplicou desde 1990, passando de 2% para 8%. A organização também defende políticas que facilitem o acesso a alimentos saudáveis e à prática de atividade física.

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