Sem categoria

Nova diretriz define quem são as pessoas que realmente precisam repor testosterona; entenda

Primeiro consenso brasileiro estabelece critérios para diagnóstico e reforça que envelhecimento, estética e ganho muscular não justificam tratamento

Nova diretriz define quem realmente precisa repor testosterona e estabelece critérios para diferenciar o tratamento médico do uso voltado à estética ou ao desempenho físico. O documento recomenda a reposição apenas diante de sintomas compatíveis e deficiência hormonal confirmada por exames.

O consenso foi elaborado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual (ABEMSS) e Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Para o médico nutrólogo e intensivista Dr. José Israel Sanchez Robles, a diretriz contribui para combater a percepção equivocada de que a testosterona pode ser utilizada como suplemento. “A testosterona não deve ser tratada como uma vitamina ou como um recurso genérico para ganho de massa muscular, aumento da disposição ou melhora da libido. Trata-se de um hormônio cuja reposição deve estar fundamentada em indicação clínica”, explica.

A orientação é que o exame seja realizado em jejum, entre 7h e 10h. Valores inferiores a 264 ng/dL indicam deficiência, enquanto resultados acima de 350 ng/dL tornam o diagnóstico pouco provável. Nos níveis intermediários, são necessários exames complementares.

“Um resultado isolado não deve ser interpretado fora do contexto clínico do paciente. É necessário avaliar os sintomas, o histórico clínico, as condições associadas e as possíveis contraindicações antes de indicar o tratamento”, afirma José Israel.

A redução natural dos níveis de testosterona associada ao envelhecimento, estimada em 1,6% ao ano, também não constitui, isoladamente, indicação para reposição hormonal. “Envelhecer não é sinônimo de necessitar de testosterona. Sintomas como cansaço, redução da disposição e diminuição da libido podem ter diferentes causas, que precisam ser devidamente investigadas antes de qualquer prescrição”, ressalta o médico.

Em homens com obesidade, mudanças no estilo de vida e perda de peso podem reverter a deficiência hormonal. A reposição ainda é contraindicada em casos como câncer de próstata conhecido ou suspeito, infarto ou AVC recentes e planejamento de fertilidade.

“O tratamento adequadamente indicado pode proporcionar melhora na qualidade de vida dos pacientes que realmente apresentam hipogonadismo. Fora dessa indicação, entretanto, os riscos associados à terapia podem superar os potenciais benefícios”, alerta o Dr. José Israel.

Deixe um comentário