Inovação suíça promete filtrar proteínas do Alzheimer diretamente do sangue
Dispositivo de nanofiltragem projetado por pesquisadores na Suíça mostra resultados promissores em ensaios iniciais contra proteínas tóxicas ligadas ao Alzheimer, abrindo debates sobre acesso, cobertura de saúde e futuro da terapia
Pesquisadores suíços anunciaram um avanço empolgante na luta contra a doença de Alzheimer: um dispositivo de filtragem sanguínea que remove diretamente as proteínas tóxicas beta-amilóide e tau, consideradas centrais no desenvolvimento da doença neurodegenerativa. Estudos preliminares sugerem que o procedimento, realizado em sessões ambulatoriais regulares, pode reduzir a carga dessas proteínas no cérebro e resultar em melhorias notáveis na memória e no pensamento em poucas semanas.
O aparelho usa nanofiltros moleculares com poros precisamente calibrados para capturar essas proteínas sem afetar componentes sanguíneos saudáveis. À medida que o sangue purificado retorna à circulação, a troca natural de fluidos que atravessa a barreira hematoencefálica facilita a redução gradual da concentração de proteínas tóxicas no cérebro — um processo que difere de muitos tratamentos atuais, que tentam apenas retardar a formação de placas sem removê-las diretamente.
Segundo o médico nutrólogo e intensivista Dr. José Israel Sanchez Robles, “Tratar o Alzheimer a partir de sua raiz biológica pode representar uma mudança de paradigma na forma como enfrentamos a doença. Em vez de apenas retardar sua progressão, essa abordagem abre a possibilidade de restaurar funções cognitivas que foram prejudicadas, oferecendo esperança real para milhões de pacientes e familiares.”. Ele destaca que essa abordagem pode representar um avanço em relação às terapias convencionais, que se baseiam principalmente na administração de medicamentos voltados à redução dos sintomas — como os anticorpos monoclonais já aprovados, cuja ação busca remover o acúmulo de beta-amilóide de maneira ainda indireta.
O protocolo típico envolve duas sessões semanais durante oito semanas, seguidas de sessões de manutenção mensais. Relatos iniciais sugerem que pacientes com declínio cognitivo moderado experimentaram melhoras no desempenho cognitivo dentro de semanas após o início da terapia. De acordo com o médico, “caso a técnica de filtragem sanguínea continue a apresentar resultados positivos nos próximos ensaios clínicos, poderemos estar diante de uma ferramenta capaz de redefinir os padrões atuais de tratamento, sobretudo nas fases iniciais da doença de Alzheimer.”.
Entretanto, apesar dos resultados promissores, a terapia ainda é considerada experimental por muitas operadoras de planos de saúde, que frequentemente negam cobertura, mesmo que o custo das sessões seja inferior ao gasto anual típico com cuidados convencionais, que nos Estados Unidos pode ultrapassar US$ 80 mil por paciente. Críticos alertam que essas barreiras financeiras poderiam atrasar o acesso de muitos pacientes a um tratamento potencialmente transformador, deixando famílias com despesas exorbitantes enquanto buscam alternativas de cuidado.
Especialistas também destacam que, para além da filtragem, novas estratégias diagnósticas — como exames de sangue que detectam biomarcadores do Alzheimer com alta precisão — estão em desenvolvimento e podem permitir intervenções mais precoces e eficazes em conjunto com tratamentos inovadores como o nanofiltrador suíço.
Ainda de acordo com o médico José Israel, com o avanço dos ensaios clínicos e a disponibilização progressiva de novos dados, a comunidade científica, os profissionais de saúde e os sistemas públicos e privados ao redor do mundo deverão acompanhar de forma criteriosa os desdobramentos dessa tecnologia. Segundo ele, isso tem o potencial de inaugurar um novo capítulo na luta contra uma das doenças neurodegenerativas mais complexas e impactantes da atualidade.”
