Especialista revela combinação de medicamentos e hábitos que podem reduzir drasticamente o risco de demência; entenda
Estudos apontam que vacinas, remédios cardiovasculares e atividades prazerosas na meia-idade podem reduzir significativamente o risco de Alzheimer
A busca por estratégias eficazes para prevenir a demência tem avançado rapidamente — e novas evidências indicam que soluções podem estar mais próximas do cotidiano do que se imaginava. De vacinas amplamente disponíveis a medicamentos já prescritos para outras condições, além de hábitos de vida estimulantes, pesquisadores vêm identificando fatores capazes de reduzir o risco de doenças como o Alzheimer.
Entre os destaques está a vacina contra a gripe, que tem demonstrado um efeito protetor relevante, especialmente em idosos. Estudos apontam que pessoas vacinadas apresentam um risco até 40% menor de desenvolver demência ao longo dos anos. Para o médico nutrólogo e intensivista Dr José Israel Sanchez Robles, esse dado reforça a importância da prevenção integrada. “A vacinação vai além da prevenção de infecções agudas. Seus efeitos podem repercutir de forma sistêmica, incluindo possíveis benefícios para a proteção cerebral.”, afirma.
Outro imunizante que chama a atenção é o da herpes-zóster. Pesquisas internacionais indicam uma redução de 15% a 20% no risco de demência entre pessoas vacinadas. “Há uma relação bem estabelecida entre processos inflamatórios e doenças neurodegenerativas. Ao prevenir infecções, as vacinas contribuem para reduzir respostas inflamatórias que podem impactar o sistema nervoso.”, explica o Dr José Israel Sanchez Robles.
Além das vacinas, medicamentos usados no controle do colesterol e da pressão arterial também aparecem como aliados. Estatinas e anti-hipertensivos têm sido associados a uma redução de 10% a 15% no risco de demência. “Cuidar da saúde cardiovascular também significa proteger, de forma indireta, a saúde do cérebro. Os vasos sanguíneos desempenham papel essencial na manutenção da função cognitiva.”, destaca o especialista.
No campo metabólico, medicamentos para diabetes tipo 2, como a metformina e os inibidores SGLT2, também demonstram potencial benefício. Ainda que os resultados sejam variados, há indícios de que o controle da glicose e da insulina contribui para a proteção das células cerebrais. “O cérebro é altamente sensível às alterações metabólicas. A manutenção do equilíbrio desses parâmetros pode contribuir para retardar processos degenerativos.”, diz o Dr José Israel Sanchez Robles.
Os anti-inflamatórios, por sua vez, seguem sendo alvo de debate científico. Embora a inflamação seja um fator conhecido na progressão do Alzheimer, os estudos ainda são inconclusivos quanto ao uso desses medicamentos como estratégia preventiva. “inda não há evidências suficientes para recomendar o uso de anti-inflamatórios com esse objetivo, embora a hipótese apresente plausibilidade biológica.”, pondera o médico.
Paralelamente aos avanços farmacológicos, um novo estudo reforça o papel do estilo de vida, especialmente na meia-idade. Atividades como aprender um instrumento, viajar, socializar e praticar exercícios físicos mostraram impacto significativo na saúde cerebral — chegando a superar até mesmo fatores genéticos de risco.
“O conceito de reserva cognitiva é fundamental. Quanto maior o estímulo cerebral ao longo da vida, maior tende a ser a capacidade do cérebro de resistir a danos relacionados ao envelhecimento”, explica o Dr. José Israel Sanchez Robles. Ele acrescenta: “Não existe uma solução única. A combinação de hábitos saudáveis, acompanhamento médico e estímulos cognitivos representa uma das estratégias mais eficazes para a proteção da saúde cerebral”.
Diante dessas evidências, especialistas defendem uma abordagem preventiva ampla, que integre cuidados médicos e hábitos de vida saudáveis. A mensagem é clara: pequenas mudanças, mantidas de forma consistente ao longo do tempo, podem contribuir significativamente para a saúde cerebral no futuro.
