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Conheça a pílula experimental que queima gordura sem esforço e protege a massa muscular

Especialista explica medicamento experimental testado em animais e humanos que pode abrir caminho para nova geração de tratamentos contra doenças

Um novo medicamento experimental em forma de comprimido demonstrou capacidade de aumentar a queima de gordura mesmo em repouso, sem provocar perda de massa muscular, segundo resultados de estudos com animais e de um ensaio clínico inicial em humanos. A substância pertence a uma nova classe de compostos metabólicos desenvolvidos para atuar de forma mais seletiva no organismo, com potencial aplicação no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.

Diferentemente de fármacos tradicionais que estimulam amplamente o sistema adrenérgico — ligado à resposta ao estresse e frequentemente associado a efeitos cardiovasculares —, o novo medicamento foi projetado para ativar apenas uma via específica de sinalização celular nos músculos. Essa estratégia permite aumentar o gasto energético e a captação de glicose sem sobrecarregar o coração.

O médico nutrólogo e intensivista José Israel Sanchez Robles explica que a abordagem representa um avanço conceitual importante. “Um dos principais desafios no tratamento da obesidade sempre foi aumentar o gasto energético sem provocar efeitos colaterais relevantes, como taquicardia ou perda de massa muscular. O mecanismo seletivo proposto por novas abordagens é promissor justamente por tentar dissociar o efeito metabólico do efeito cardiovascular”, afirma.

O medicamento atua sobre o receptor beta-2 adrenérgico, presente em células musculares e cardíacas, mas ativa preferencialmente uma rota alternativa mediada pela proteína GRK2. Esse tipo de ação, conhecido como agonismo enviesado, faz com que apenas os sinais associados aos efeitos desejáveis sejam estimulados. “É como acionar um interruptor com maior precisão: em vez de ativar todo o sistema, o fármaco direciona a resposta especificamente para o músculo, aumentando o consumo de glicose e energia”, explica o médico.

Nos testes com camundongos e ratos com obesidade e diabetes, o composto melhorou a tolerância à glicose, reduziu a gordura corporal e aumentou o gasto energético em repouso, sem provocar aumento do tamanho do coração ou lesões cardíacas, mesmo após meses de uso. Em modelos nos quais medicamentos consagrados costumam causar perda muscular, a nova substância conseguiu preservar a massa magra, inclusive quando usada em associação com outras terapias.

Em humanos, o medicamento já foi avaliado em um estudo de fase 1, focado na análise de segurança, com participação de voluntários saudáveis e pessoas com diabetes tipo 2. Os pesquisadores observaram boa absorção oral, ausência de alterações significativas na pressão arterial e na frequência cardíaca, além de efeitos colaterais leves e transitórios. Dr. José Israel ressalta: “Trata-se de dados iniciais promissores, mas ainda estamos na etapa de avaliação da segurança. A eficácia real só poderá ser determinada nas próximas fases de estudo.”

A pesquisa agora avança para os ensaios de fase 2, que deverão avaliar o impacto do medicamento no controle da glicose, na redução da gordura corporal e na preservação da massa muscular ao longo do tempo. Segundo o nutrólogo, “caso esses resultados se confirmem em estudos maiores e mais duradouros, há potencial para uma nova geração de terapias metabólicas, inclusive com possibilidade de uso combinado com tratamentos já disponíveis”.

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